Sabes de que modo olho
a mulher que amo?!
- Não, ninguém sabe,
nem mesmo eu o sei.
Ela o sabe
ao acusar o sabre
que cintila no meu olhar.
Entrementes, o que sabe
é somente uma parte
e uma aparte
da lura de sabre
ao modo de guerra
dos sexos divisos,
endividados,
endiabrados
n brado do querer
e não poder
senão por palavras
que proíbem por lei
o poder de ser do indivíduo
frente ao estado da lei,
que dizem do direito.
Ora! O direito tem esteio
no princípio da razão
e o estado no princípio da sem-razão
dos homens, mulheres,
em comando imediato
da nau que mal naufraga
e nos deixa todos náufragos
sem nau para navegar
num mar à deriva
em veleiro brigue
nu de velas
que segue sua estrela do norte.
Polar.
Ninguém sabe
de que forma olho
para a medusa que amo
desde os fios dos cabelos
- ninho de víboras peçonhentas!,
mas que amo,
pois ali estão assente
minha vida e morte
- minha farmacopéia.
Nem ela sabe inteiramente
o modo assaz fugaz
que olho para ela,
pois por dentro do corpo,
em luz proveniente de impulsos nervosos,
tenho o sabre a cindir as vísceras;
por dentro de mim,
em âmbito corporal
e mental, o saber sabe a sabre,
sem gosto de menta
para refrigério d' alma
que ama e canta no azul
- um saltério de Davi,
rei, guerreiro e poeta:
- o homem! :
este rei é o homem
e não um homem.
Que todos os santos
não cabem num homem comum,
mas sim no homem magnânimo(magnânimo!)
que Aristóteles descreve
( descreve-se em autobiografia filosofante!)
em sua Ética a Nicômaco,
seu filho.
Ninguém pode mensurar
o quanto de amor,
paixão desenfreada, sem brida,
com muito brio,
vai temperar meus olhos
quando a vejo passar lépida
clara e clínica como um girassol
aos olhos do pastor mortalmente apaixonado,
de olhar límpido
a fingir ser
um ou outro pastor
a guardar rebanhos
sob o céu em anil alto
ou anum baixo,
de voo e grito e rascante.
Assim também
nenhum ensaísta brioso, lucífero,
pode formar um juízo líquido
e cristalino qual água de arroio doce,
aonde bebeu a bem-amada,
sobre o que era a medusa
no meio ambiente natural e social
do povo, dos poetas e dos filósofos
gregos de antanho
e língua de trapo velho
- vetusta!
que olhava em signos
e símbolos
- o desenho da medusa
na volúpia do pacto de sangue
a cumprir com o corpo
e pagar com a alma
no sumidouro,
no redemoinho, no sorvedouro,
no vórtice da volição
que arrasta o homem
para dentro da mulher
e vice-versa
neste verso que versa
sobre o que está escrito em apócrifos pela medusa
em corpo de mulher
e em amor de homem
- com um poeta afogado dentro
do mar vermelho
no amor em bodas
- pacto de sangue
para a vida eterna
ou, ao menos, humildemente,
a vida de um filho,
uma filha,
que é outro mar
aonde veio a veia (aveia!)
dar o sangue
e o leite
derramado
do leito
nupcial.
medusa de bernini canova dicionario filosofico filosófico juridico jurídico dicionário enciclopédico enciclopedico enciclopédia delta barsa enciclopedia delta barsa dicionario etimológico etimologico etimo etimologia onomastico dicionário onomástico verbete glossário verbete glossario léxico lexico lexicografia vida obra biografia pinacoteca arte medusa gorgona górgona mito mitologia grega mito terminologia cientifica terminologia científica dicionário científico dicionario cientifico nomenclatura binomial nomenclatura
Nenhum comentário:
Postar um comentário