sexta-feira, 3 de outubro de 2014

CARONTE, CARONTE - dicionario wikcionario wikdicionario





Corpo hirto em um esquife :
esta uma definição de morte
( ou da morte?!).
Não um definir somente,
mas um definhar também
com rumo de demonstração 
através da ciência cênica do deus Thanatus
versus ciência cínica do homem do vulgo,
vulto transtornado em médico e monstro
na parede iluminada à vela.
Vela padrão.Cefeidas.
Vela no cais do porto
enfunada pelo ventre do vento
em veleiro velado.
Alaúde, Alaide, para a elegia
de Maria de Lourdes, minha mãe!
Alaúdes!
Um ataúde
não é uma alaúde.
O alaúde é um instrumento melódico
da família dos cordofones
e a música do alaúde
cabe na alma do mel;
por isso, a  melodia,
de-dia e noite-e-dia
toca à Via Sacra
que terminou para Maria de Lourdes Gribel,
porém continua para mim
no alaúde que pude 
por em arranjo de aliteração
ao modo Cruz e Souza de trinar, doutrinar.
Toca alaúde, Alaíde,
para Maria de Lourdes
viva em virtude,
agora em mansuetude...
de arroio que brinca de saltar pedras
nas perdas da madugada.
O ataúde que, no árabe grafado,
também aponta para a substância da madeira,
matéria em celulose,
é feito para guardar morto
desatado do contorno melódico,
mas ainda atada ao lúdico,
mesmo o mais módico
que chega  a beirar
o beiral do silêncio,
no qual pousa um cantochão
distante algumas jardas de mosteiros,
 abadias frias dadas em côvados covardes
e conventos, que há de convir,
são cenóbios,  casas cenobiais, monastérios,
lugares para vida contemplativa
daqueles monges com face de terra
e daquelas monjas que amam a Deus
sendo reciprocados 
pelo amor de Deus,
ó  amados e amadas,
que o são no sal da vida sã, santa, sanada...
- O alaúde tem abelhas
tecelãs terceiras da Ordem das avelãs e amêndoas
e  do mel que doa da lã melódica,
lânguidas, longas melíferas colmeias...
lançadas do cântico do alaúde
que eleva a alma da minha mãe
ao espírito que se esvazia
nos foles de Deus, do céu,
os  quais se expandem em plenos pulmões
com a música da sanfona ou acordeão
que acorda o acordo
na corda musical do pacto
que o senhor mandou sangrar
para poder assinar
com o sinal de sina do arco-íris
que conta ariris em neblina matinal
pelo grito nos céus
acima de telhado gris
que rebaixa os anis
ao nível dos homens vis.
Alaúde, Alaide, para prantear
o passamento de minha mãe,
 Maria de Lourdes,
senhora dos alaúdes,
- que eu a nomeio assim
com minha autoridade de homem livre.
Entrementes, se é a  vida da minha mãe
que me escapa pelas frinchas dos dedos
no tempo serpenteado pelas areias
divididas na ampulheta do homem
e soltas no Relógio de Areia do cosmos constelado,
tal qual um Adão com costela,
no período das águas,
com a clepsidra humana
separando águas de tempo,
- Nos instantes de luz,
que fazer e a quem instar?!
A que deus?!
A que lua, a que loa, 
- a que ladainha recorrer?
se o tempo em minha mãe
se transmutou em pedra
e de tempo involuiu para templo
tal qual o sangue do Mar Vermelho do corpo.
Posto o morto,
no caso, a morta,
a que porto
irá aproar, Eloá?
Em que momento soçobrará?!...
Posta a morta
a que porta
baterá?
À porta torta do batel
- que naufragou
e nem tinha porta
ou porto seguro
Aonde atracar?!...
Onde ir fugindo, à deriva...
O ataúde atou o corpo
de minha mãe
e o arrastou "redemoinhando"
para os subterrâneos
onde há Hades
e há-de haver catacumbas,
rio Estiges, barcas e Carontes.
O ataúde tocou-lhe a alma de alameda longa
que subiu aos céus
para encontrar um reino
todo dela,
todo mãe,
pronto e à espera
de sua soberana,
desde o rasto na areia
dos pés do primeiro tempo

em que ela pisou
na cabeça da serpente,
que é a vida :
mixórdia ou mescla de peçonha e remédio.

Mas se haverá céu e céus
nas acepções das palavras
para além dos azuis,
- o que não haverá
 senão todo o impossível?

No céu que creio
está o sol
plantado com se fora
um olho ciclópico,
o mar embaixo a remar

na preamar, baixa-mar...
e o luar encimando...- tudo,
porquanto  os deuses saem e entram em mim
assim como emergem as ervas da terra,
as víboras das tocas...
 
Deus deixa a caverna
que tenho dentro de mim;
sai silente com  o querubim e o serafim
da sua comitiva divina,
com seu séquito angélico,
tal qual saem corujas, mochos e morcegos
de seus valhacoutos.
A única fé que tenho,
trago-a em mim;
a única razão em que creio
e com a qual mensuro e conto
está dentro de mim :
o resto é xarope de groselha
para inglês beber.

Minha mãe faleceu;
no entanto,  metade do corpo dela
( corpo vem com água de alma e alga,
espírito de fogo)
foi deixado de legado vivo
em meu corpo,
pois a outra metade do meu organismo
pertence ao meu pai,
continuando, pois, o casamento deles
a viger dentro do meu corpo.
No que creio
é que minha mãe
que acaba de falecer
tem uma metade em mim
que a morte não pode levar
nem com seu exército bilionário de bactérias,
- pois metade do seu corpo
( e no corpo vai alma em água
e espírito em fogo)
ela me deixou de legado vivo :
- a metade do corpo que fora dado a ela
na herança genética.
Na outra metade do meu corpo
vive meu pai,
ambos casados
em corpo, alma e espírito
dentro de mim!

Do exposto, depreende-se que a metade
que foi pasto das bactérias comensais
pertencia a ela
- que teve que morrer pela metade,
pois a morte não se completa
senão depois de largo ciclo de vida
quando a outra metade morre
em todos os filhos e netos,
bisnetos,  tataranetos...
- e vai gerações! quase sem fim
a cavaleiro do fim. 

Ao ver minha mãe no "sarcófago",
contemplei pela terceira vez
a minha própria morte,
ainda de posse da consciência-corpo
que me faz recordar
da minha existência 
- até o dia do Senhor,
quando meu corpo for desconectado
do aparato vivo  da natureza
e minha memória corporal
fugir pela janela
Através de uma rede de falenas
Que levarão minha memória consciente,
A qual multiplica o milagre
De abrir minha consciência
No encadeamento de atos e fatos
Que constituem o tempo:
O tempo do ser é o presente,
- o resto é tempo sem  ser.

Antes do passamento de minha mãe
assisti meu passamento em minha  avó 
e posteriormente em meu pai..:
Toca Alaíde,
Toca alaúde...
Ficheiro:The musicians by Caravaggio.jpg
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

PERFUNCTÓRIO(PERFUNCTÓRIO!) - wikcionario wikdicionario



Mirando o retrato de minha mãe na puberdade
observo e sinto
que em seus olhos
eu já olhava extasiado para o mundo:
o mundo azul da Terra verde.
Eu já estava ali no universo
presente na metade do corpo dela,
pretérito no meu tempo de ser em carnação;
mas estava, naquele tempo,
antes de ser sequer rasto de feto,
pacto de óvulo e espermatozóide:
a meio-olho, ao meio-dia, meio-tijolo :
algo meã, a meio caminho do caminhante,
a um tiro de caminhão,
caminhando, em jornada,
jornaleiro à jorna pago.
( Mas mais bela  ao verdejar era a alga
marinha em seu seu verdor
composta em doce glicose,
a um passo de dança da compota
e dois passos da melodia do violinista verde de Chagall,
que colhia o verde do meu pai,
que quando bêbado esverdeava,
descendo o verde dos olhos à tez...
Porém,  perfunctório(perfunctório!) o mundo
em atos de governos virulentos e violentos
que invocam uma epifania de  Black Blocs
para espatifar vidraças
de instituições vestidas para o crime
permitido em lei capitalista,
comunista ou oriundas de repúblicas réprobas,
porém por demais democratas ou socialistas:
todas comprometidas com a corrupção
dos homens que as dirigem
e vêm a dirimir as querelas da justiça
consubstanciadas por ladrões e sicários
que empregam doutos
a serviço do direito e da ciência,
militares e milicianos a serviço mercenário
das forças armadas,
as quais defendem as debilidades políticas,
sociais e econômicas de um sistema
aberto para poucos sócios
e proibidos para todos os insolventes, inadimplentes.

Em posse da minha metade
naqueles olhos negros
de minha mãe
vi, via,  a metade da minha verdade,
meia realidade,
a meio-olho ou um olho ciclópico,
não com ou à meia luz,
mas com luz integral,
( ou vagalumesca na vaga do vagalume :vago lume)
se não fosse treva
de três trevas (tri-trevas)
ou trevo de quatro folhas
desverdeado pelas trevas tríplices
o que cavava o espaço do momento
antes do lusco-fusco
anunciar com anjo
não uma criança bem-nascida,
mas sim uma mulher na noite
pintada, sinalizada, por Joan Miró
em seu tratado pictocráfico
de príncipe-menino e princesa-noturna.
( A outra metade do meu olhar
estava nos olhos do meu pai
que via o outro lado do mundo
com outros hormônios,
outro ego e corpo meu apartado ao meio
a fio de espada do tempo
que ainda não era
na minha Era de Aquário,
signo de Virgem
nas constelações do zoodíaco
que deita de-noite
e dorme de-dia
e acorda na madrugada do acordo
com a corda ou seno
para trigonometria, alaúde, patíbulo
ou amarra de peças ou pessoas
em leva de prisioneiros
com séquito de soldados que marcham
com a cabeça no papel da lei
para cavaleiros lendários sem  cabeça
à frente da caleça,
coração ao meio,
partido.

Quando se juntaram,
unindo-se em mãe e pai,
as metades antes dispersas neles,
pelos medos e persas
caminhantes caminheiros
dos caminhos e descaminhos dos caminhões,
ocorreu a unidade daquelas metades
em uma verdade, uma realidade
e então se fez a luz a vagalume,
criou-se os céus e a terra,
as pedras e os petréis,
as ervas, heras, árvores e as lianas,
reptéis, anfíbios, mamíferos, peixes e aves,
tal qual  as vejo, sinto, penso
e ponho feito ser
junto ao fungo,
planta em que ponho o chapéu
e tiro tirocínio do céu
do petrel e outras procelárias,
bobos com suas almas-de-mestre
voejando em calmaria na procela
que fustiga com fúria
e faz balançar perigosamente
o maior dos transatlânticos.

Desse encontro
de amora que se enamora
nasceu minha cosmosvisão,
minha verdade e realidade
-  nasceu o que sou eu,
parte de mãe, parte de pai,
quando apartados,
e junção deles, empós o amor,
que acordou vencido pela barra da alva,
vencedor na flor de laranjeira, aromática,
no mundo que me não  leu,
nem sequer soletrou solerte
e me  não subverteu
na sua ginástica de exegetas e hermeneutas
das ilhas Aleutas,
nem no prazer inenarrável de ouvir alaúde
ou o terror pânico de ver o ataúde
que se dispõe a receber
o corpo do morto,
que é outro ataúde
de onde a alma e o espírito empreenderam fuga
na tocada e fuga singela do alaúde
com aletas na alma de Bach.

Mãe acaba de perder um corpo;
todavia continua com oito corpos de filhos
e outros tantos de netos, bisneto, tataranetos
que virão na viração :
mãe continua com chance de eternidade,
mirando o mundo dos meus olhos,
ouvindo com meus ouvidos,
lendo os poetas românticos
na biblioteca de "Alexandria"
que eu trouxe para dentro da memória
onde há uma pinacoteca,
museus de ciência...
- e a fusão de dois corações
em um coração vigoroso
imperturbável, impassível  nas borrascas,
inabalável nas intempéries,
em calmaria de procelárias
sobrevoando a procela a bramar,
a bufar bafejando o Zéfiro dos foles,
da gaita-de-foles com fôlego,
do pulmão, pneu, pneuma, atma
que inspira fora do mundo,
que é por  dentro o ser humano,
um microcosmos apartado,
e expira no mundo,
o macrocosmos a rodear o corpo humano,
em forma de música, melodia, ritmo
em dedos com dados de geômetra,
harmonia na arritmia, contraponto...: ponto!
- Pronto contraponto!

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